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Militino Martinez: Um Centenário

Leia o artigo “MITILINO MARTINEZ: UM CENTENÁRIO ” de autoria de Adeildo Osório de Oliveira – Presidente da Fundação Brasileira de Contabilidade, publicado no jornal Tribuna Bahia, em homenagem ao centenário de Militino Martinez.


A viagem para Assunção, no Paraguai, partindo de Salvador, via Rio de Janeiro, para a participação na XVIII Conferência Interamericana de Contabilidade, foi relativamente tranquila, exceto pelo fato de Sudário Cunha, por problemas na documentação, teria de desembarcar em Foz de Iguaçu e, de lá, tentar ir de ônibus até Assunção. No entanto, um temporal levou o avião direto até Assunção, onde Sudário conseguiu desembarcar, ficando por lá assim mesmo. Tudo transcorria normalmente em nossa viagem, e numa tarde ensolarada saímos pela cidade, caminhando por várias ruas de Assunção em busca da compra de brinquedos. Ao voltarmos para hotel, Militino estava muito cansado e sentou-se em uma cadeira para descansar, quando nos avisou que não sairia para jantar. Ao amanhecer do dia 29 de setembro, a Conferência acabou para a delegação brasileira. Militino sofrera um terrível infarto e foi levado para uma clínica. Começou aí uma corrida para mandá-lo de volta ao Brasil, por meio de uma UTI no ar, o que só foi conseguido ao final da noite, quando ele foi transferido para São Paulo. Militino sobreviveu ao infarto, mas o seu filho mais velho, com apenas 44 anos, pouco tempo depois, também foi vítima de infarto, em seu caso fulminante. Militino, Contador, foi uma figura notável, portador de uma ética implacável, ocupou vários cargos públicos, sobretudo na Receita Federal, onde foi Superintendente na Bahia e no Estado da Guanabara, fazendo uma longa carreira de estado. Por muitos anos foi diretor da Faculdade de Economia e Contabilidade da Universidade Federal da Bahia, formando gerações de contadores e economistas. Trabalhou pela criação do Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia, tendo sido o seu primeiro Presidente e portador do registro número um. Entre o período de 1986 a 1989, presidiu também o Conselho Federal de Contabilidade, (CFC) à época, com sede na cidade do Rio de Janeiro, onde fez a aquisição do 12° andar do edifício situado na Av. Franklin Roosevelt n° 115, para sede do CFC. Era espartano e, quando ia para as reuniões no CFC, andava de ônibus do aeroporto até a sede Conselho. Em 1992, por ocasião XIV Congresso Brasileiro de Contabilidade, realizado na cidade do Salvador, Bahia, ele foi agraciado com a medalha do Mérito Contábil João Lyra, maior comenda da classe contábil brasileira. Na oportunidade durante seu discurso de agradecimento assim se expressou: “Na verdade, há mais de cinquenta anos que vivo, convivo, sofro e me vejo, sempre, amando, cada vez mais a profissão contábil”. Quando presidi pela primeira vez o Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia e tive a ideia de criar uma medalha com seu nome, fui até sua residência para lhe comunicar a homenagem, tendo ele me dito que não via sentido nela. Porém, mesmo a seu contragosto, ao molde da medalha João Lyra, com o
relato de Carlos Garcia Lorenzo, criamos a Medalha Militino Martinez para homenagear aqueles que prestaram relevantes serviços à classe contábil baiana. Em junho de 1994, o Mestre Militino resolve deixar definitivamente suas atividades profissionais e transfere as instalações físicas de seu escritório, para a Contadora Maria Constança Carneiro Galvão. Seus pais, imigrantes galegos, Gumercindo Rodriguez e Carmem Martinez, procriaram sete filhos, sendo o terceiro, chamado Militino Rodrigues Martinez, nascido em 15 de setembro 1920 e em 1995, como escreveu uma de suas filhas, “na madrugada do dia 7 de junho às 5h55, junto com a primeira luz do amanhecer Deus o abraçou com o amor da eternidade. Ele merece a luz de uma estrela maior, uma estrela serena e forte como ele sempre foi”.

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